Arquivo de Mercado Editorial

Alguma coisa está fora da ordem!

O Brasil possui pouquíssimas livrarias, não mais que 2.680 delas de Norte a Sul do país, incluindo neste número alguns diversos pontos de venda genéricos, ou seja, não exatamente livrarias especializadas, mas às vezes supermercados, pontos de venda e outras empresas abertas que, na verdade, servem de fachadas para algumas papelarias. Segundo dados da Fundação Biblioteca Nacional o país teria 2.767 [uma proporção de 70 mil leitores para cada livraria]. Setenta por cento do número de livrarias são de pequeno e médio portes, com um faturamento mensal entre R$ 35 mil e R$ 45 mil apenas.

Uma pesquisa divulgada pelo do IBGE [Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] em setembro de 2007 mostra que, entre 1999 e 2006, o número de municípios que possuem livrarias no país caiu 15,5%. Em 2006, elas estavam presentes em apenas 30% dos 5.564 municípios brasileiros. Já em 1999, o percentual era de 45,5%. Veja bem, estes são os números do IBGE especificamente

Perto de 25% do número de livrarias existentes pertencem às grandes redes, com boa parte dessas redes concentradas na região Sul e Sudeste do país, que coincide com a concentração dos 58% do total de leitores ativos. Ou seja, 68% das livrarias brasileiras se concentram no Sudeste e no Sul. Mais de mil delas estão centralizadas em apenas dois estados: São Paulo e Rio de Janeiro. Só em São Peulo são 676 livrarias, o maior número do país para uma população de 40 milhões de habitantes. Segundo recomendações das Organizações das Nações Unidas o ideal seria uma livraria para cada 10 mil habitantes, com isto em mente, o certo seria termos então termos 18 mil livrarias.

Porém, os números de livrarias atuais, que eu casei com um documento publicado pela Associação Nacional de Livrarias, diz que o número de livrarias existentes cobre apenas cerca de 600 cidades no país, ou seja , podemos dizer que, segundo os dados da ANL, 90% dos municípios brasileiros não tem livraria. Nos outros 10% do número de livrarias se dividiria assim:

  • 3% Distrito Federal
  • 5% Norte
  • 4% Centro-Oeste
  • 15% Sul
  • 20% Nordeste
  • 53% na região Sudeste, sendo:
    • 48% em São Paulo
    • 24% no Rio de Janeiro
    • 25% em Minas Gerais
    • 3% no Espírito Santo

São apenas 22 mil bancas de jornal, que são considerados pontos alternativos de venda de livros.

No Brasil há aproximadamente apenas 70 mil bibliotecas. Das quais 5 mil são bibliotecas públicas, 10 mil são comunitárias e quase 55 mil escolares. Porém perto de 11% dos 5.564 municípios brasileiros não tem biblioteca. Ou seja, o Brasil tem hoje cerca de 650 munícipios sem nenhuma biblioteca. Desde 1999, o índice de presença subiu de 76,3% para 89,1%. Uma margem mínima de 12,8% se avaliarmos o gigantesco trabalho da ONGs e entidades que cuidam da questão da leitura em nosso país.

Em alguns munícipios, o acervo da biblioteca é de 20, 30 anos atrás e relatórios anuais de freqüência em bibliotecas municipais apontam que 40% de seus usuários [que poderiam ser considerados os potenciais leitores] entram nas bibliotecas para assistir a filmes, usar a Internet, ou para fazer outras coisas mais usuais como beber água ou usar o banheiro, por exemplo.

Em São Paulo, a Secretaria Estadual de Educação apontou em pesquisa de outubro de 2007, que apenas 15% das escolas possuem bibliotecas. Ou seja, das mais de 5 mil escolas estaduais paulistas, apenas 750 delas têm bibliotecas. E que, apesar de 73% delas contar com salas de leitura, estas nem sempre estão abertas para os alunos.

Segundo matéria publicada jornal Folha de S. Paulo, “Uma prova aplicada nas escolas municipais de São Paulo em novembro de 2007 apontou que cerca de 29% dos alunos da segunda série do ensino fundamental estão com um nível de aprendizado crítico. Não conseguiram nem responder às questões de português. Na prática, segundo relatório da própria Secretaria de Educação do município pauslista, ao ler um documento, esses alunos não são capazes de identificar, por exemplo, que se trata de uma conta de água. Eles também têm dificuldades para entender o contexto de uma história em quadrinhos. Os resultados da Prova São Paulo mostram também que boa parte dos alunos da quarta série [26,9%] também está muito abaixo do esperado para sua etapa de ensino“.

A Revista Educação de junho de 2008 traz uma reportagem sobre uma pesquisa realizada pela NEA [National Endowment for the Arts], a qual aponta que o livro vem diminuindo ao longo dos anos sua importância como principal instrumento de formação escolar. Entre 1984 e 2004, período avaliado no estudo, o número de adolescentes de 13 anos que nunca leram um livro aumentou de 8% para 13%. O percentual de alunos que lêem diariamente baixou de 35% para 30%. Segundo a mesma pesquisa, o problema aumenta de acordo com a faixa etária. Entre os jovens de 19 anos, ou seja, os que estão deixando a escola, a quantidade dos que nunca leram passou de 9% para 19%. Já os que se dedicam todos os dias aos livros baixou de 31% para 22%. Uma das causas apontadas pelo estudo para o crescente desinteresse pela leitura é a diminuição do capital empregado pelas famílias na compra de livros.

A pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, publicada em maio de 2008, traz à tona os problemas da carência de leitores no Brasil ao mostrar que apenas 8% dos 5 mil entrevistados sequer possuem um livro em casa e que 66% dos livros estão concentrados nas mãos de 20% do universo pesquisado. A mesma pesquisa mostra que os estudantes brasileiros lêem 7,2 livros por ano, mas 5,5 dos livros são didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 de livro é lido por vontade e ou escolha própria. Os dados da pesquisa são óbvios aos mostrar que a quantidade de livros aumenta conforme a classe social, a escolaridade e a região onde vivem os leitores. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, por exemplo, são 5,3 livros por ano, sem contar os didáticos. O índice é próximo dos registrados em outros países, como Espanha [5 livros por ano] ou Argentina [5,8]. Na França, são mais de 7. Já na Região Norte do Brasil, praticamente só se lê o que a escola pede.

Sessenta e um por cento da população adulta têm pouco ou nenhum contato com os livros. O número de leitores ativos no país, que estão em sua maioria entre 14 e 29 anos, não chega à casa dos 40 milhões [ou seja, perto de 20% do real potencial de mercado]. Segundo números do Instituto Pró-Livro, o Brasil possui 36 milhões de compradores de livros.

Temos pouco mais do que 500 editoras realmente em plena atividade, e o mercado emprega apenas perto de 27 mil profissionais ou, no máximo, 150 mil pessoas de modo indireto através de free-lancers e ou terceirizados. As gráficas, neste cenário, somam 17 mil empresas [mas não vivem somente da impressão de livros, se não teríamos certamente um número menor do que este!].

Uma outra pesquisa, encomendada pelo Sistema FecomércioRJ, mostra que do total dos entrevistados, 69% disseram, por exemplo, que não leram nenhum livro no ano de 2007. A falta de hábito foi o motivo alegado por 58% dos entrevistados das classes D e E, apenas 1% a menos que os das classes A e B. Apontado por muita gente como o maior vilão dos consumidores de cultura, o preço dos livros perdeu de longe para dois problemas ainda mais preocupantes, uma vez que demandam mais tempo para serem solucionados: a falta de hábito e o desinteresse.

Perto de 75% dos livros, no Brasil, estão nas mãos de apenas 20% da população [ou seja, perto de 230 milhões de livros estão nas mãos de apenas 35 ou no máximo de 40 milhões de leitores]. Basicamente a população do Estado de São Paulo.

Sessenta por cento da população brasileira alfabetizada está fora da indústria cultural de livros.

Num cenário de 187,22 milhões de habitantes, dos quais apenas 95,6 milhões de pessoas [55% da população] se declaram leitores,somam-se perto de 15 milhões dos brasileiros que não sabem ler. Dos quais oito milhões dos analfabetos estão concentrados na região do Nordeste. Embora não seja exatamente a mesma região que concentra o menor número de livrarias.

Um indicador nacional de analfabetismo funcional em 2005 mostrava que 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguiam localizar informações em textos longos, apenas nos textos curtos.

O leitor médio [teoricamente alfabetizado] lê apenas 1,8 livros por ano [segundo algumas entidades do livro, mas eu fiz uma conta bem caseira e cheguei ao animador número de apenas 3 unidades por ano somente entre os leitores realmente ativos, o que não altera muito a nossa triste realidade]. Eu leio este número por mês, mas estou ciente de que este é o meu ganha-pão e estou fora da estatística que aponta 17 milhões de leitores brasileiros que lêem apenas um livro por ano, número abaixo do cidadão colombiano [2,4] e muito abaixo do norteamericano [5] e do francês [7]. Avaliadores internacionais já clocavam o Brasil, em 2003, nas últimas posições no uso da língua materna e mostravam que apenas 25% dos brasileiros que concluíram a 8º série poderiam ser considerados leitores realmente fluentes.

Três mil é a tiragem média para uma única edição de um livro. E apenas 30 mil é a tiragem média dos chamados best-sellers.

E apesar de tudo isto, o Brasil é apontado como entre os 8 países que mais consomem livros no mundo e é o primeiro na América Latina, com um potencial de mercado gigantesco ainda a ser explorado. Três bilhões representa o faturamento anual do mercado editorial brasileiro [números de 2006]. São 310 milhões de livros vendidos naquele ano. Porém, 60% deste número [perto de 180 milhões] são de livros didáticos, ou seja, a cifra real de faturamento [que poderia chegar realmente perto da casa dos 3 bilhões] na verdade é menor do que isto porque, historicamente, o governo brasileiro responde, em valor, com um quarto a um terço da receita do mercado editorial brasileiro. Em 2006, por exemplo, foram comprados exatos R$ 731 milhões.

Bom, estes são os números que eu humildemente levantei, pois eu não sou estrategista e nem tão pouco matemático, embora eu tenha estudado estatística por dois anos na fauldade de Ciências Sociais. E antes que me perguntem, as fontes destes números estão por aí, os dados foram levantados de matérias e reportagens de jornais e revistas de todo o Brasil, durante algum tempo em que pesquisei estes fragmentos para obter algum horizonte ou uma bússola no meu trabalho como editor no jovem selo Giz Editorial. Incluindo relatórios e pesquisas tirados dos websites das entidades de classes que, infelizmente, não chegam a um consenso. Cada um diz uma coisa. Ou estes números estão corretos, ou eu não sei entender os números ou há alguma coisa fora da ordem. O que você pensa?

Ednei Procópio, Editor, São Paulo

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O lucro na era digital ainda está para ser descoberto



Valor Econômico - 19/02/2008 - por Tainã Bispo

A tecnologia digital não parece tão promissora quando o assunto são os livros, revistas e jornais. “Um dos principais obstáculos para a adoção em massa do e-book (livro digital) em 2008 e nos próximos anos pode estar ligado à profunda afeição que as pessoas possuem pelo livro tradicional de papel”, afirma a pesquisa da consultoria Deloitte. Em vez do consumidor em geral, a tendência é que o livro digital - um aparelho com uma tela especial para leitura - interesse mais a públicos específicos. Pode ser um instrumento prático de consulta para quem usa obras de referências no trabalho, como dicionários, manuais técnicos, textos acadêmicos ou títulos jurídicos. No Brasil, uma editora pequena, a Giz Editorial, tem se arriscado nesse mercado, praticamente inexistente no país - nos EUA, a Sony fabrica o eBook e a Amazon oferece um aparelho de marca própria. >> Leia mais

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Como é feito um livro?

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Linhas que valem R$ 150 mil

Com a abertura das inscrições para o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2008, a partir do dia 21/01, os escritores brasileiros começam sua corrida para uma das mais cobiçadas recompensas literárias do país. Considerado o equivalente lusófono do britânico Booker Prize, o Portugal Telecom contemplará os três vencedores com a maior premiação em dinheiro oferecida aos escritores no Brasil. São R$ 100 mil para o primeiro colocado, R$ 35 mil para o segundo e R$ 15 mil para o terceiro. A curadoria do Prêmio Portugal Telecom 2008 é formada por três especialistas em literatura portuguesa, africana e brasileira, com a coordenação da consultora literária da Portugal Telecom. Os concorrentes precisam atravessar três etapas seletivas… [ Jornal do Brasil - 18/01/2008 ]

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São Paulo recebe a 20ª Bienal do Livro em agosto

De 14 a 24 de agosto ocorrerá, no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi, a 20ª edição da Bienal do Livro. Uma das novidades deste ano - quando se celebram 200 anos da indústria gráfica no Brasil e da fundação da Biblioteca Nacional - é a Bienal Criança, para a qual foi reservada uma área de 11 mil metros quadrados dos 80 mil metros que terá a feira. Participarão cerca de 900 selos editoriais do mundo nesta Bienal do Livro, a segunda no gênero no mercado livreiro internacional e que teve 80% de seus estandes vendidos com um ano de antecedência. A previsão é de que 800 mil pessoas visitem o espaço. >> Leia mais em Globo Online - 07/01/2008 - por Donizeti Costa/Diário de S. Paulo

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Alguma coisa está fora da ordem II

Materia Veja CBL - Materia Veja CBL

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Giz Editorial na Bienal do Livro 2008

20º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008

A Giz Editorial oficialmente confirma a sua presença na 20º Bienal Internacional do Livro de São Paulo 2008. Durante os onze dias do evento [de 14 a 24 de agosto], a Giz Editorial estará com o seu estande apresentando as obras dos seus escritores ao mercado editorial e aos milhares de leitores que visitarão a feira. Será a oportunidade de prestigiar de perto os novos talentos literários e conhecer o trabalho do mais jovem e independente selo editorial brasileiro.

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O passo a passo para publicar o primeiro livro

EntreLivros - EntreLivros

A Revista EntreLivros [ANO 3, Nº 31] traz uma máteria sobre “Como publicar o seu primeiro livro“. Para os que pretendem publicar o seu primeiro livro e não sabe o caminho, vale a pena dar uma conferida na matéria.

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Alguma coisa está fora da ordem!

O Brasil possui pouquíssimas livrarias, não mais que 2.680 delas de Norte a Sul do país, incluindo neste número alguns diversos pontos de venda genéricos, ou seja, não exatamente livrarias especializadas, mas às vezes supermercados e outras empresas abertas na verdade para fachadas de algumas papelarias. Segundo dados da Fundação Biblioteca Nacional o país teria 2.767 [uma proporção de 70 mil leitores para cada livraria]. Setenta por cento do número de livrarias são de pequeno e médio portes, com um faturamento mensal entre R$ 35 mil e R$ 45 mil apenas.

A pesquisa Retratos da Leitura do Instituo Pró-Livro, publicada em maio de 2008, traz à tona os problemas da carência de leitores no Brasil ao mostrar que apenas 8% dos 5 mil entrevistados sequer possuem um livro em casa e que 66% dos livros estão concentrados nas mãos de 20% do universo pesquisado. A mesma pesquisa mostra que os estudantes brasileiros lêem 7,2 livros por ano, mas 5,5 deles são didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 livro é lido por vontade e escolha própria. Os dados da pesquisa são óbvios aos mostrar que a quantidade de livros aumenta conforme a classe social, a escolaridade e a região onde vivem so leitores. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, por exemplo, são 5,3 livros por ano, sem contar os didáticos. O índice é próximo dos registrados em outros países, como Espanha [5 livros por ano] ou Argentina [5,8]. Na França, são mais de 7. Já na Região Norte do Brasil, praticamente só se lê o que a escola pede.

Uma pesquisa divulgada pelo do IBGE [Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] em setembro de 2007 mostra que, entre 1999 e 2006, o número de municípios que possuem livrarias no país caiu 15,5%. Em 2006, elas estavam presentes em apenas 30% dos 5.564 municípios brasileiros. Já em 1999, o percentual era de 35,5%.

Perto de 25% do número de livrarias pertence às grandes redes, com boa parte dessas redes concentradas na região Sul e Sudeste do país, exatamente pela grande concentração dos 58% do total de leitores ativos. Ou seja, 68% das livrarias brasileiras se concentram no Sudeste e no Sul. Mais de mil delas estão centralizadas em apenas dois estados: São Paulo e Rio de Janeiro. Só em São Peulo são 676 livrarias, o maior número do país para uma população de 40 milhões de habitantes. Segundo recomendações das Organizações das Nações Unidas uma livraria para cada 10 mil habitantes.

Repare, abaixo, nos números que eu casei com um documento publicado pela Associação Nacional de Livrarias:

  • 3% Distrito Federal
  • 5% Norte
  • 4% Centro-Oeste
  • 15% Sul
  • 20% Nordeste
  • 53% na região Sudeste, sendo:
    • 48% em São Paulo
    • 24% no Rio de Janeiro
    • 25% em Minas Gerais
    • 3% no Espírito Santo

São apenas 22 mil bancas de jornal, que são considerados pontos alternativos de venda de livros.

Perto de 10% dos 5.564 municípios brasileiros não tem biblioteca. Ainda não há biblioteca pública em 613 municípios. Desde 1999, o índice de presença subiu de 76,3% para 89,1%. Uma margem mínima de 12,8% se avaliarmos o gigantesco trabalho da ONGs e entidades que cuidam da questão da leitura.

Relatórios anuais de freqüência em bibliotecas municipais apontam que 40% de seus usuários [que poderiam ser considerados os potenciais leitores] entram nas bibliotecas para assistir a filmes, usar a Internet, ou para fazer outras coisas mais usuais como beber água ou usar o banheiro, por exemplo.

Em São Paulo, região onde vivo, a Secretaria Estadual de Educação apontou em pesquisa de outubro de 2007, que apenas 15% das escolas possuem bibliotecas. Ou seja, das mais de 5 mil escolas estaduais paulistas, apenas 750 delas têm bibliotecas. E que, apesar de 73% delas contar com salas de leitura, estas nem sempre estão abertas para os alunos.

Segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo, “Uma prova aplicada nas escolas municipais de São Paulo em novembro de 2007 apontou que cerca de 29% dos alunos da segunda série do ensino fundamental estão com um nível de aprendizado crítico. Não conseguiram nem responder às questões de português. Na prática, segundo relatório da própria Secretaria de Educação, ao ler um documento, esses alunos não são capazes de identificar, por exemplo, que se trata de uma conta de água. Têm também dificuldades para entender o contexto de uma história em quadrinhos. Os resultados da Prova São Paulo mostram também que boa parte dos alunos da quarta série [26,9%] também está muito abaixo do esperado para sua etapa de ensino“.

A Revista Educação de junho de 2008 traz uma reportagem sobre pesquisa realizada pela NEA [National Endowment for the Arts], a qual aponta que o livro vem diminuindo ao longo dos anos sua importância como principal instrumento de formação escolar. Entre 1984 e 2004, período avaliado no estudo, o número de adolescentes de 13 anos que nunca leram um livro aumentou de 8% para 13%. Por outro lado, o percentual de alunos que lêem diariamente baixou de 35% para 30%. Segundo a mesma pesquisa, o problema aumenta de acordo com a faixa etária. Entre os jovens de 19 anos, ou seja, que estão deixando a escola, a quantidade dos que nunca leram passou de 9% para 19%. Já os que se dedicam todos os dias aos livros baixou de 31% para 22%. Uma das causas apontadas pelo estudo para o crescente desinteresse pela leitura é a diminuição do capital empregado pelas famílias na compra de livros.

Sessenta e um por cento da população adulta têm pouco ou nenhum contato com os livros. O número de leitores ativos no país, que estão em sua maioria entre 14 e 29 anos, não chega à casa dos 40 milhões [ou seja, perto de 20% do real potencial de mercado]. Temos pouco mais do que 500 editoras realmente em plena atividade, e o mercado emprega apenas perto de 27 mil profissionais [ou, no máximo, 150 mil pessoas de modo indireto através de free-lancers e terceirizados]. As gráficas, neste cenário, somam 17 mil empresas [mas não vivem somente da impressão de livros, se não teríamos certamente um número menor do que este!].

Uma pesquisa, encomendada pelo Sistema FecomércioRJ, mostra que do total de entrevistados, 69% disseram, por exemplo, que não leram nenhum livro no ano de 2007. A falta de hábito foi o motivo alegado por 58% dos entrevistados das classes D e E, apenas 1% a menos que os das classes A e B. Apontado por muita gente como o maior vilão dos consumidores de cultura, o preço dos ingressos ou dos livros perdeu de longe para dois problemas ainda mais preocupantes, uma vez que demandam mais tempo para serem solucionados: a falta de hábito e o desinteresse.

Perto de 75% dos livros, no Brasil, estão nas mãos de apenas 20% da população [ou seja, perto de 230 milhões de livros estão nas mãos de apenas 35 ou no máximo de 40 milhões de leitores]. Basicamente a população do Estado de São Paulo.

Sessenta por cento da população brasileira alfabetizada está fora da indústria cultural de livros.

Num cenário de 187,22 milhões de habitantes, somam-se perto de 15 milhões dos brasileiros que não sabem ler. Dos quais oito milhões dos analfabetos estão concentrados na região do Nordeste. Embora não seja exatamente a mesma região que concentra o menor número de livrarias.

Um indicador nacional de analfabetismo funcional em 2005 mostrava que 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguiam localizar informações em textos longos, apenas nos textos curtos.

O leitor médio [teoricamente alfabetizado] lê apenas 1,8 livros por ano [segundo algumas entidades do livro, mas eu fiz uma conta bem caseira e cheguei ao animador número de apenas 3 unidades por ano somente entre os leitores realmente ativos, o que não altera muito a nossa triste realidade]. Eu leio este número por semana, mas estou ciente de que este é o meu ganha-pão e estou fora da estatística que aponta 17 milhões de leitores brasileiros que lêem apenas um livro por ano número abaixo do cidadão colombiano [2,4] e muito abaixo do norteamericano [5] e do francês [7]. Avaliadores internacionais já clocavam o Brasil, em 2003, nas últimas posições no uso da língua materna e mostravam que apenas 25% dos brasileiros que concluíram a 8º série poderiam ser considerados leitores realmente fluentes.

Três mil é a tiragem média para uma única edição de um livro. E apenas 30 mil é a tiragem média dos chamados best-sellers.

E apesar de tudo isto, o Brasil está entre os 8 países que mais consomem livros no mundo e é o primeiro na América Latina, com um potencial de mercado gigantesco ainda a ser explorado. Três bilhões representa o faturamento anual do mercado editorial brasileiro [números de 2006]. São 310 milhões de livros vendidos naquele ano. Porém, 60% deste número [perto de 180 milhões] são de livros didáticos, ou seja, a cifra real de faturamento [que poderia chegar realmente perto da casa dos 3 bilhões] na verdade é menor do que isto porque, historicamente, o governo brasileiro responde, em valor, com um quarto a um terço da receita do mercado editorial brasileiro. Em 2006, por exemplo, foram comprados exatos R$ 731 milhões.

Bom, estes são os números que eu humildemente levantei, pois eu não sou estrategista e nem tão pouco matemático, embora eu tenha estudado estatística por dois anos na fauldade de Ciências Sociais. E antes que me perguntem, as fontes destes números estão por aí, os dados foram levantados de matérias e reportagens de jornais e revistas de todo o Brasil, durante algum tempo em que pesquisei estes fragmentos para obter algum horizonte ou uma bússola no meu trabalho como editor no jovem selo Giz Editorial. Incluindo relatórios e pesquisas tirados dos websites das entidades de classes que, infelizmente, não chegam a um consenso. Cada um diz uma coisa. Ou estes números estão corretos, ou eu não sei entender os números ou há alguma coisa fora da ordem. O que você acha?

Ednei Procópio, Editor, São Paulo

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Livro acessível é problema de todos nós

Está na hora de parar de jogar nas costas do Estado e dos governos a solução que passa pelo comprometimento individual de todos os cidadãos.

— Seria motivo de alegria para você saber que uma criança cega conseguiu comprar um livro seu, numa livraria?

— A criança sim é que teria motivo para se alegrar, não eu.

A pergunta é minha e a resposta é de um dos maiores nomes da literatura brasileira. Não citarei quem é por respeito à sua obra e por considerar o episódio um momento infeliz. E quem jamais passou por isso? Só quem nunca praticou a palavra. Hábil no arranjo das mesmas, depois de reorganizadas elas foram apresentadas assim:

— Bem, claro que me alegraria, mas esse assunto é problema do governo. O Lula não comprou um único livro meu. O projeto desse governo é diferente. O Fernando Henrique distribuiu 70 milhões de livros, mas esse governo pensa diferente. Eu penso que isso que você pergunta, sobre as crianças excepcionais, é para o governo resolver.

O silêncio se fez durante alguns segundos, enquanto eu procurava nos olhos do público algum comprometimento com o assunto trazido à luz das velas arranjadas sobre as mesas, um leve toque romântico para aquecer a noite dedicada à famosa personalidade do mundo das letras. Antes, meus olhos procuraram nos olhos da personalidade um brilho de entusiasmo pelo tema. Não encontrei. Uma outra pergunta salvou a personalidade de refletir sobre o abismo que separa os não videntes do mundo dos livros e das letras.
Foi perguntado quais os livros lidos pela personalidade que mais a agradaram. A resposta foi a citação de vasta bibliografia, desde a infância, começando por Monteiro Lobato, lido até perto dos treze anos, passando pela adolescência e juventude, quando surgiu o encantamento pelos autores franceses. Um lapso na memória lhe fez esquecer o nome de uma obra de Marcel Proust. Um assessor veio em seu socorro e completou: “Em busca do tempo perdido”? Uma providencial ajuda, retribuída com largo sorriso de confirmação. Sobre os livros lidos nos dias de hoje, foram enumerados alguns títulos, entre eles a biografia do ex-presidente do Brasil, FHC, citado três vezes pela ilustre fala. No final da longa e metódica resposta, percebi sutil melancolia após uma pausa para respirar.
Depois de tantas citações bibliográficas, o desejo de retomar a prosa sobre o formato acessível havia ficado no passado. Ninguém ali, fora eu, parecia estar interessado nesse papo. O público queria o de sempre: saber sobre como se dá o processo de criação de um bom texto literário, sobre os títulos e autores favoritos.
A intenção da pergunta foi suscitar a reflexão de um grande nome da literatura brasileira para uma questão de interesse de mais de um milhão de brasileiros cegos e de cinco milhões de pessoas com baixa visão, em todo o Brasil. Fora os pais e mães que lutam todos os dias para vencer os obstáculos da exclusão e da falta de livros em formato que possibilite aos seus filhos ler com autonomia.
Percebi na resposta dada à minha pergunta o quão distante de parte importante da realidade estão algumas personalidades, tão envolvidas com a produção, divulgação e sucesso de suas criações, inclusive junto ao lobby governamental, capaz de garantir atraentes números na tiragem de livros vendidos. Pude entender como se sentem os famosos quando são preteridos por esse ou por aquele governo, restando-lhes, de tempos em tempos, a competitiva sobrevivência no mercado.
Após quatro anos de aprendizado livre, editando os meus próprios livros, escrevendo para todos, percebo o quão feliz sou por não precisar atribuir ao governo ações que também são de minha própria responsabilidade. Como é bom ter a certeza de que meus livros não estão estocados em armários de escolas públicas, como algumas vezes flagrei obras de autores famosos, de fino acabamento, compradas pelo governo, sem jamais cumprir o seu destino nas mãos de professores e alunos.

Gisele Pecchio é jornalista e autora dos livros Um par de asas para Toby e Toby e os Mistérios da Floresta, pioneiros no formato acessível para crianças, à venda nas lojas da Livraria Cultura ou pelo website www.livrariacultura.com.br.

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