Arquivo de Novembro de 2007

Literatura Fantástica resgata conspiração renascentista em aventura inédita

A Lenda do Judeu Errante

A Lenda do Judeu Errante

Ação, aventura, romance e suspense mostram suas garras nesta história que une o presente e o passado num laço indissolúvel e que mostra que, não importa se é nesta vida ou em outra, seus débitos voltarão para assombrá-lo. Quer você queira, quer não…

O que você faria se tivesse um negócio na Internet e quisesse que ele prosperasse?

Esse foi o pensamento de Roger Briggs, quando colocou um anúncio num jornal especializado em busca de investidores para sua loja virtual. Quando o misterioso pesquisador dos sonhos, conhecido como dr. Varshae, apareceu oferecendo mais do que Roger precisava, a desconfiança foi imediata. Mas o dinheiro estava garantido por seu advogado, que disse estar tudo de acordo. A única condição de Varshae era que o novo sócio fosse com ele para Roma, a cidade eterna, para comemorar a nova fase do empreendimento. E que a simpática noiva de Roger, Liz, fosse junto.

Roger informa Liz e a irmã dela, Emile, de que passarão um fim de semana na bela Itália. Liz está fascinada com as perspectiva de passar alguns dias na Europa, de onde saiu após a morte de seus pais no atentado de 2004 em Madri. Emile, recém-convertida ao kardecismo, não vê tal viagem com bons olhos. Mesmo assim resolve acompanhar o casal.

Em Roma um frade franciscano, que Emile conhece em São Paulo, aparece, sempre de olho. Há uma certa atração entre o religioso e Emile, algo que ela explorará como se fosse uma curiosidade, mas que amedronta ele. Afinal, o frade não pode decepcionar seu mestre nem deixar de fazer o quem ele manda.

Apesar da amizade entre Roger e Varshae ainda estar tomando forma, Emile se convence de que forças sobrenaturais podem estar em ação. Em contato constante com seu orientador espírita, ela usa seus conhecimentos sobre a doutrina do espiritismo para identificar melhor a ameaça que paira sobre suas cabeças. Até que o grupo vai assistir uma palestra numa pensão próxima ao Vaticano ministrada pelo frei Edgar, o “gatinho” de Emile. O assunto não poderia ser mais estranho: a lenda do judeu errante, o homem que foi condenado por Cristo por recusar-lhe descanso. No intervalo do evento Liz é seqüestrada e um bilhete incita Roger para que vá até Florença, onde ele poderá resgatar sua noiva e conhecerá mais sobre o passado de seus pais.

Apenas Varshae sabe o que o perigoso frei Francis Cello, o mestre de Edgar, está planejando. Algo que poderá levar a um confronto entre as almas de pai e filho que, um dia, foram inimigos mortais na Florença dos Médici. E desse encontro a verdade sobre as atuais encarnações de cada personagem, bem como seus papéis nas atuais reencarnações, será revelado. Com conseqüências desastrosas e um desfecho totalmente inesperado.

Numa narrativa que mistura elementos da história do Renascimento italiano com conspirações religiosas, os personagens embarcam numa viagem que mostrará o que sua fé poderá fazer para salvar suas almas e saldar os débitos de vidas passadas. Espiritismo, reencarnação e grandes nomes do Renascimento de Florença aparecem neste romance de mistério do mesmo autor do best-seller SOCIEDADES SECRETAS (que já vendeu mais de 60 mil exemplares) e INVESTIGAÇÃO CRIMINAL.

Sobre o Escritor:

Sérgio Pereira Couto é jornalista, escritor e especialista em esoterismo, história antiga e medieval e ciência criminal. Foi editor e repórter de revistas como Ciência Criminal, Discovery Magazine, PC Brasil e Geek! Possui textos e artigos publicados em diversos veículos dentre eles Galileu e Planeta. É autor de 17 livros, com mais de cem mil exemplares vendidos somente no país, entre eles os best-sellers Sociedades Secretas e Investigação Criminal.

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A Vampirus Brasil Collection está de casa nova!

A comunidade do website Vampirus Brasil está com a Giz Editorial acompanhando a publicação do primeiro livro com a marca Vampirus Brasil Collection!

Os autores que participarão do livro ilustrado, são estes:

J. F. Ricoy
Rodrigo Venkli
Luciana Muniz
Emília Ract
Mitra Oliver
Luciano Souza
Willian Altali
Melissa Mell
Roberta Domingues
Miriam Castilho
Dany Fernandez
Gilmar Lewd
Alexandre Copelli
DeniseMG [org.]

E a participação especial de Luis Goulão de Portugal.

Aguarde as novidades.

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O passo a passo para publicar o primeiro livro

EntreLivros - EntreLivros

A Revista EntreLivros [ANO 3, Nº 31] traz uma máteria sobre “Como publicar o seu primeiro livro“. Para os que pretendem publicar o seu primeiro livro e não sabe o caminho, vale a pena dar uma conferida na matéria.

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Vem aí!

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Convite para o Lançamento do Livro De Noite Tem…

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do livro
De Noite Tem…

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Projeto faz divulgação de escritores

Entre os projetos mais recentes de Chris Anderson [autor de A cauda longa - Do mercado de massa para o mercado de nicho - Campus Elsevier, 256 pp., R$ 57,50], está o site BookTour, onde ele aplica sua teoria da cauda longa propondo a divulgação de escritores “em vários níveis” de suas carreiras. Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, os autores criam uma página, onde disponibilizam livros e agenda, e os leitores podem encontrá-los e contatá-los pelo site… [ Folha de S. Paulo - 05/11/2007 ].

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Convite para o lançamento do livro Dieta do Espírito

Convite para o Lançamento do Livro Dieta do Espírito

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Dieta do Espírito

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TV Cultura estréia programa dedicado à escrita literária

letra livre 100 - LetraLivre

O encontro da literatura com temas que dominam o cotidiano - eis uma das metas do programa mensal Letra Livre, que estreiou dia 05/11/2007, às 20h, na TV Cultura. Trata-se da reunião de escritores consagrados, sempre de universos literários diferentes, para confrontar idéias, expor opiniões e, claro, discutir literatura. “No primeiro programa, por exemplo, tratamos da questão da escravidão no Brasil, desde o tempo imperial até os dias de hoje”, comenta o jornalista e crítico Manoel da Costa Pinto, que vai comandar os encontros - na noite de hoje, ele recebe o romancista Milton Hatoum e o poeta Glauco Mattoso. Criado por Hélio Goldstein e patrocinado pela Imprensa Oficial de São Paulo, Letra Livre terá sempre uma hora de duração, dividido em quatro blocos… [ O Estado de S. Paulo - 05/11/2007 - por Ubiratan Brasil ]

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Alguma coisa está fora da ordem!

O Brasil possui pouquíssimas livrarias, não mais que 2.680 delas de Norte a Sul do país, incluindo neste número alguns diversos pontos de venda genéricos, ou seja, não exatamente livrarias especializadas, mas às vezes supermercados e outras empresas abertas na verdade para fachadas de algumas papelarias. Segundo dados da Fundação Biblioteca Nacional o país teria 2.767 [uma proporção de 70 mil leitores para cada livraria]. Setenta por cento do número de livrarias são de pequeno e médio portes, com um faturamento mensal entre R$ 35 mil e R$ 45 mil apenas.

A pesquisa Retratos da Leitura do Instituo Pró-Livro, publicada em maio de 2008, traz à tona os problemas da carência de leitores no Brasil ao mostrar que apenas 8% dos 5 mil entrevistados sequer possuem um livro em casa e que 66% dos livros estão concentrados nas mãos de 20% do universo pesquisado. A mesma pesquisa mostra que os estudantes brasileiros lêem 7,2 livros por ano, mas 5,5 deles são didáticos ou indicados pela escola. Apenas 1,7 livro é lido por vontade e escolha própria. Os dados da pesquisa são óbvios aos mostrar que a quantidade de livros aumenta conforme a classe social, a escolaridade e a região onde vivem so leitores. Entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, por exemplo, são 5,3 livros por ano, sem contar os didáticos. O índice é próximo dos registrados em outros países, como Espanha [5 livros por ano] ou Argentina [5,8]. Na França, são mais de 7. Já na Região Norte do Brasil, praticamente só se lê o que a escola pede.

Uma pesquisa divulgada pelo do IBGE [Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] em setembro de 2007 mostra que, entre 1999 e 2006, o número de municípios que possuem livrarias no país caiu 15,5%. Em 2006, elas estavam presentes em apenas 30% dos 5.564 municípios brasileiros. Já em 1999, o percentual era de 35,5%.

Perto de 25% do número de livrarias pertence às grandes redes, com boa parte dessas redes concentradas na região Sul e Sudeste do país, exatamente pela grande concentração dos 58% do total de leitores ativos. Ou seja, 68% das livrarias brasileiras se concentram no Sudeste e no Sul. Mais de mil delas estão centralizadas em apenas dois estados: São Paulo e Rio de Janeiro. Só em São Peulo são 676 livrarias, o maior número do país para uma população de 40 milhões de habitantes. Segundo recomendações das Organizações das Nações Unidas uma livraria para cada 10 mil habitantes.

Repare, abaixo, nos números que eu casei com um documento publicado pela Associação Nacional de Livrarias:

  • 3% Distrito Federal
  • 5% Norte
  • 4% Centro-Oeste
  • 15% Sul
  • 20% Nordeste
  • 53% na região Sudeste, sendo:
    • 48% em São Paulo
    • 24% no Rio de Janeiro
    • 25% em Minas Gerais
    • 3% no Espírito Santo

São apenas 22 mil bancas de jornal, que são considerados pontos alternativos de venda de livros.

Perto de 10% dos 5.564 municípios brasileiros não tem biblioteca. Ainda não há biblioteca pública em 613 municípios. Desde 1999, o índice de presença subiu de 76,3% para 89,1%. Uma margem mínima de 12,8% se avaliarmos o gigantesco trabalho da ONGs e entidades que cuidam da questão da leitura.

Relatórios anuais de freqüência em bibliotecas municipais apontam que 40% de seus usuários [que poderiam ser considerados os potenciais leitores] entram nas bibliotecas para assistir a filmes, usar a Internet, ou para fazer outras coisas mais usuais como beber água ou usar o banheiro, por exemplo.

Em São Paulo, região onde vivo, a Secretaria Estadual de Educação apontou em pesquisa de outubro de 2007, que apenas 15% das escolas possuem bibliotecas. Ou seja, das mais de 5 mil escolas estaduais paulistas, apenas 750 delas têm bibliotecas. E que, apesar de 73% delas contar com salas de leitura, estas nem sempre estão abertas para os alunos.

Segundo matéria publicada na Folha de S. Paulo, “Uma prova aplicada nas escolas municipais de São Paulo em novembro de 2007 apontou que cerca de 29% dos alunos da segunda série do ensino fundamental estão com um nível de aprendizado crítico. Não conseguiram nem responder às questões de português. Na prática, segundo relatório da própria Secretaria de Educação, ao ler um documento, esses alunos não são capazes de identificar, por exemplo, que se trata de uma conta de água. Têm também dificuldades para entender o contexto de uma história em quadrinhos. Os resultados da Prova São Paulo mostram também que boa parte dos alunos da quarta série [26,9%] também está muito abaixo do esperado para sua etapa de ensino“.

A Revista Educação de junho de 2008 traz uma reportagem sobre pesquisa realizada pela NEA [National Endowment for the Arts], a qual aponta que o livro vem diminuindo ao longo dos anos sua importância como principal instrumento de formação escolar. Entre 1984 e 2004, período avaliado no estudo, o número de adolescentes de 13 anos que nunca leram um livro aumentou de 8% para 13%. Por outro lado, o percentual de alunos que lêem diariamente baixou de 35% para 30%. Segundo a mesma pesquisa, o problema aumenta de acordo com a faixa etária. Entre os jovens de 19 anos, ou seja, que estão deixando a escola, a quantidade dos que nunca leram passou de 9% para 19%. Já os que se dedicam todos os dias aos livros baixou de 31% para 22%. Uma das causas apontadas pelo estudo para o crescente desinteresse pela leitura é a diminuição do capital empregado pelas famílias na compra de livros.

Sessenta e um por cento da população adulta têm pouco ou nenhum contato com os livros. O número de leitores ativos no país, que estão em sua maioria entre 14 e 29 anos, não chega à casa dos 40 milhões [ou seja, perto de 20% do real potencial de mercado]. Temos pouco mais do que 500 editoras realmente em plena atividade, e o mercado emprega apenas perto de 27 mil profissionais [ou, no máximo, 150 mil pessoas de modo indireto através de free-lancers e terceirizados]. As gráficas, neste cenário, somam 17 mil empresas [mas não vivem somente da impressão de livros, se não teríamos certamente um número menor do que este!].

Uma pesquisa, encomendada pelo Sistema FecomércioRJ, mostra que do total de entrevistados, 69% disseram, por exemplo, que não leram nenhum livro no ano de 2007. A falta de hábito foi o motivo alegado por 58% dos entrevistados das classes D e E, apenas 1% a menos que os das classes A e B. Apontado por muita gente como o maior vilão dos consumidores de cultura, o preço dos ingressos ou dos livros perdeu de longe para dois problemas ainda mais preocupantes, uma vez que demandam mais tempo para serem solucionados: a falta de hábito e o desinteresse.

Perto de 75% dos livros, no Brasil, estão nas mãos de apenas 20% da população [ou seja, perto de 230 milhões de livros estão nas mãos de apenas 35 ou no máximo de 40 milhões de leitores]. Basicamente a população do Estado de São Paulo.

Sessenta por cento da população brasileira alfabetizada está fora da indústria cultural de livros.

Num cenário de 187,22 milhões de habitantes, somam-se perto de 15 milhões dos brasileiros que não sabem ler. Dos quais oito milhões dos analfabetos estão concentrados na região do Nordeste. Embora não seja exatamente a mesma região que concentra o menor número de livrarias.

Um indicador nacional de analfabetismo funcional em 2005 mostrava que 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos não conseguiam localizar informações em textos longos, apenas nos textos curtos.

O leitor médio [teoricamente alfabetizado] lê apenas 1,8 livros por ano [segundo algumas entidades do livro, mas eu fiz uma conta bem caseira e cheguei ao animador número de apenas 3 unidades por ano somente entre os leitores realmente ativos, o que não altera muito a nossa triste realidade]. Eu leio este número por semana, mas estou ciente de que este é o meu ganha-pão e estou fora da estatística que aponta 17 milhões de leitores brasileiros que lêem apenas um livro por ano número abaixo do cidadão colombiano [2,4] e muito abaixo do norteamericano [5] e do francês [7]. Avaliadores internacionais já clocavam o Brasil, em 2003, nas últimas posições no uso da língua materna e mostravam que apenas 25% dos brasileiros que concluíram a 8º série poderiam ser considerados leitores realmente fluentes.

Três mil é a tiragem média para uma única edição de um livro. E apenas 30 mil é a tiragem média dos chamados best-sellers.

E apesar de tudo isto, o Brasil está entre os 8 países que mais consomem livros no mundo e é o primeiro na América Latina, com um potencial de mercado gigantesco ainda a ser explorado. Três bilhões representa o faturamento anual do mercado editorial brasileiro [números de 2006]. São 310 milhões de livros vendidos naquele ano. Porém, 60% deste número [perto de 180 milhões] são de livros didáticos, ou seja, a cifra real de faturamento [que poderia chegar realmente perto da casa dos 3 bilhões] na verdade é menor do que isto porque, historicamente, o governo brasileiro responde, em valor, com um quarto a um terço da receita do mercado editorial brasileiro. Em 2006, por exemplo, foram comprados exatos R$ 731 milhões.

Bom, estes são os números que eu humildemente levantei, pois eu não sou estrategista e nem tão pouco matemático, embora eu tenha estudado estatística por dois anos na fauldade de Ciências Sociais. E antes que me perguntem, as fontes destes números estão por aí, os dados foram levantados de matérias e reportagens de jornais e revistas de todo o Brasil, durante algum tempo em que pesquisei estes fragmentos para obter algum horizonte ou uma bússola no meu trabalho como editor no jovem selo Giz Editorial. Incluindo relatórios e pesquisas tirados dos websites das entidades de classes que, infelizmente, não chegam a um consenso. Cada um diz uma coisa. Ou estes números estão corretos, ou eu não sei entender os números ou há alguma coisa fora da ordem. O que você acha?

Ednei Procópio, Editor, São Paulo

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Livro acessível é problema de todos nós

Está na hora de parar de jogar nas costas do Estado e dos governos a solução que passa pelo comprometimento individual de todos os cidadãos.

— Seria motivo de alegria para você saber que uma criança cega conseguiu comprar um livro seu, numa livraria?

— A criança sim é que teria motivo para se alegrar, não eu.

A pergunta é minha e a resposta é de um dos maiores nomes da literatura brasileira. Não citarei quem é por respeito à sua obra e por considerar o episódio um momento infeliz. E quem jamais passou por isso? Só quem nunca praticou a palavra. Hábil no arranjo das mesmas, depois de reorganizadas elas foram apresentadas assim:

— Bem, claro que me alegraria, mas esse assunto é problema do governo. O Lula não comprou um único livro meu. O projeto desse governo é diferente. O Fernando Henrique distribuiu 70 milhões de livros, mas esse governo pensa diferente. Eu penso que isso que você pergunta, sobre as crianças excepcionais, é para o governo resolver.

O silêncio se fez durante alguns segundos, enquanto eu procurava nos olhos do público algum comprometimento com o assunto trazido à luz das velas arranjadas sobre as mesas, um leve toque romântico para aquecer a noite dedicada à famosa personalidade do mundo das letras. Antes, meus olhos procuraram nos olhos da personalidade um brilho de entusiasmo pelo tema. Não encontrei. Uma outra pergunta salvou a personalidade de refletir sobre o abismo que separa os não videntes do mundo dos livros e das letras.
Foi perguntado quais os livros lidos pela personalidade que mais a agradaram. A resposta foi a citação de vasta bibliografia, desde a infância, começando por Monteiro Lobato, lido até perto dos treze anos, passando pela adolescência e juventude, quando surgiu o encantamento pelos autores franceses. Um lapso na memória lhe fez esquecer o nome de uma obra de Marcel Proust. Um assessor veio em seu socorro e completou: “Em busca do tempo perdido”? Uma providencial ajuda, retribuída com largo sorriso de confirmação. Sobre os livros lidos nos dias de hoje, foram enumerados alguns títulos, entre eles a biografia do ex-presidente do Brasil, FHC, citado três vezes pela ilustre fala. No final da longa e metódica resposta, percebi sutil melancolia após uma pausa para respirar.
Depois de tantas citações bibliográficas, o desejo de retomar a prosa sobre o formato acessível havia ficado no passado. Ninguém ali, fora eu, parecia estar interessado nesse papo. O público queria o de sempre: saber sobre como se dá o processo de criação de um bom texto literário, sobre os títulos e autores favoritos.
A intenção da pergunta foi suscitar a reflexão de um grande nome da literatura brasileira para uma questão de interesse de mais de um milhão de brasileiros cegos e de cinco milhões de pessoas com baixa visão, em todo o Brasil. Fora os pais e mães que lutam todos os dias para vencer os obstáculos da exclusão e da falta de livros em formato que possibilite aos seus filhos ler com autonomia.
Percebi na resposta dada à minha pergunta o quão distante de parte importante da realidade estão algumas personalidades, tão envolvidas com a produção, divulgação e sucesso de suas criações, inclusive junto ao lobby governamental, capaz de garantir atraentes números na tiragem de livros vendidos. Pude entender como se sentem os famosos quando são preteridos por esse ou por aquele governo, restando-lhes, de tempos em tempos, a competitiva sobrevivência no mercado.
Após quatro anos de aprendizado livre, editando os meus próprios livros, escrevendo para todos, percebo o quão feliz sou por não precisar atribuir ao governo ações que também são de minha própria responsabilidade. Como é bom ter a certeza de que meus livros não estão estocados em armários de escolas públicas, como algumas vezes flagrei obras de autores famosos, de fino acabamento, compradas pelo governo, sem jamais cumprir o seu destino nas mãos de professores e alunos.

Gisele Pecchio é jornalista e autora dos livros Um par de asas para Toby e Toby e os Mistérios da Floresta, pioneiros no formato acessível para crianças, à venda nas lojas da Livraria Cultura ou pelo website www.livrariacultura.com.br.

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